#Palavras do Pai

Fora do contexto #Parte1

(Observando o Contexto) Extraído de http://www.jabesmar.com.br/didatica/105-observando-o-contexto.html

Escrito por Jabesmar A. Guimarães

A respeito de interpretação bíblica há uma frase muito interessante que diz: “texto fora do contexto é pretexto.” Contexto é assim definido pelo Dicionário do Aurélio: 1) Aquilo que constitui o texto no seu todo; 2) Encadeamento das idéias dum escrito. No nosso caso, isto significa que não podemos saber exatamente o que um versículo quer dizer, a menos que o observemos dentro do assunto no qual está inserido, ou seja, o contexto no qual foi escrito. Podemos afirmar também que contexto é o que está escrito antes e depois do versículo ou versículos que citamos ou ensinamos.

A título de exemplo citarei alguns dos vários versículos que são citados fora do contexto fazendo com que as pessoas entendam-nos de forma errada. 

Quando alguém se decepciona com uma outra pessoa é comum ouvirmos: “é por isso que a Bíblia diz: Maldito o homem que confia no homem, dando a entender que não devemos confiar em ninguém. Mas ao observarmos o contexto veremos que o autor está alertando para o perigo de colocarmos nossa confiança e esperança de livramento em outra pessoa que não o Senhor. O restante do versículo deixa isto bem claro quando diz: “faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jr 17:5).

Outro versículo mal empregado é Filipenses 4:13. Ele está na boca dos “supercrentes” e até mesmo em adesivos nos automóveis. O versículo diz: “tudo posso naquele que me fortalece.”

 A idéia transmitida é a de que o crente tem poderes. Mas o que exatamente Paulo queria dizer com isso? O contexto nos mostra que o apóstolo está dizendo que com Jesus ao seu lado ele pode passar por qualquer situação. Pode passar pela pobreza, pela humilhação ou honrarias, pela fartura ou fome, abundância ou escassez (Cf.vv. 11 e 12). Existem outros exemplos, mas por enquanto estes bastam. Vemos então a importância do contexto para que entendamos com mais exatidão o que o Senhor quis transmitir quando fez com que Sua Palavra fosse registrada.

Passo agora a falar de um versículo que tem sido usado por irmãos exclusivistas e semi-exclusivistas para tentar respaldar suas idéias. Refiro-me a II Coríntios, onde lemos: “Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (6:16, 17) Já estou “careca” de ver este versículo sendo citado para querer me provar que tenho que me apartar totalmente dos meus irmãos denominacionais. No presente artigo, pretendo provar que estas palavras não podem ser usadas para referir-se a irmãos em Cristo, por mais que eu discorde deles em alguns pontos de vista.

O contexto nos mostra que Paulo está falando do que conhecemos como “Jugo Desigual” entre crentes e incrédulos. Ele está proibindo qualquer tipo de associação íntima, sociedade, casamento etc. entre um salvo e um perdido.

Na verdade Paulo está citando  o profeta Isaías quando este fez um apelo ao povo de Israel. “O apelo mencionado é tirado de Isaías 52:11, onde a nação e, principalmente, seus sacerdotes foram avisados a escapar da Babilônia e não tocar em coisas imundas. Ele (Paulo) podia ver claramente que os coríntios estavam numa situação parecida com a de Israel na Babilônia e que o perigo de contaminação, através da idolatria, estava por perto” (Comentário Ritchie pp. 118,119).

O nome Babilônia significa “porta dos deuses”. “Visto que a história da Babilônia é muito longa, temos uma grande variedade de crenças e instituições religiosas… 

Antigas divindades sumérias foram assimiladas pelos semitas, após o tempo da primeira dinastia da Babilônia (cerca de 1800 A.C.). A versão final da biblioteca de Nínive, no século VII A. C., enumerou os deuses em mais de 2.500. Mas em qualquer período isolado, o número de deuses sempre foi bem menor. Contudo, isto mostra quão politeísta era aquela gente” (Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, vol. 1, p. 425). Falta espaço no presente artigo para enumerar o panteão de deuses e deusas daquele povo. É importante observar que mesmo sendo idólatra, aquele povo tinha noções de moralidade com leis proibindo o comportamento sexual extramarital, o adultério, a sedução e o estupro. O homossexualismo era considerado uma falta grave. Mas a verdade é que este senso moral nem sempre, como em todos os povos, era praticado no dia a dia.

(C O N T I N U A . . .)

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