#Palavras do Pai

Verdades sobre os refugiados e a Grécia #107  

Cemitério dos Coletes em Molyvos, Lesvos, Grécia

Achei importante compartilhar algumas coisas com vocês, já que temos tantas matérias sendo divulgadas nos jornais de todo o mundo sobre a precariedade dos campos na Grécia, por exemplo.

É nítido de que é precário sim. Digo isso porque estive lá. Pelo menos no que eu trabalhei, eles recebem café, almoço e janta todos os dias. E a comida é boa, porque a gente que ta trabalhando come da mesma comida. A grande maioria das organizações do campo, responsáveis pelas barracas, toldos, roupas, alimentação, cobertores e afins são formadas por voluntários. Infelizmente, a demanda de refugiados que entra no campo é muito maior do que a que sai pra Atenas pra tentar o pedido de asilo. Este pedido é dado pelo país que o refugiado deseja se estabelecer (Alemanha, por exemplo). Praticamente nenhum deles deseja ficar aqui na Grécia, porque hoje ela é um país pobre, mas existem aqueles que escolheram ficar aqui sim.

Eu vi de perto pessoas querendo enfrentar o mar novamente numa viagem arriscada porque a vida no campo é difícil. Não podemos culpa-los, é difícil mesmo. Eles passam por situações que talvez eu e você não suportariamos nem diante da falta de opção. Mas, esse não é o caso mais comum. Conheci refugiados que estão há 10 meses no campo sem saber quando vão poder fazer a entrevista.

Pois bem, quando eles conseguem, vão para Atenas, mas sem dinheiro nem nada. Muitos acabam roubando ou se prostituindo porque precisam as vezes esperar meses pelo asilo.

Existem alguns países que fecharam as fronteiras para os refugiados. Se o pedido de asilo no país desejado for negado, eles ficam “presos” aqui na Grécia e as portas são fechadas em todos os demais países. 

Alguns refugiados são considerados imigrantes pelo governo: pedem asilo mas não tem “motivo real” para conseguir o refúgio. Por exemplo… conheci refugiados que saíram de seu país para fugir da pobreza, da “vida difícil”, da fome… estes não são considerados motivos suficientes para o asilo. Eles são considerados imigrantes econômicos ou políticos, por exemplo, mas não refugiados, por isso tem seus pedidos negados. É um risco a mais que eles correm: virem ilegais na tentativa de uma vida melhor, enfrentar o caos nos campos de refugiados e ainda poderem ter seus pedidos negados, transformando tudo que eles fizeram em inutilidade, sendo obrigados a retornar ao seu país de origem. Também temos casos de pessoas más que se misturam a eles na tentativa de escapar da prisão. Sim, existem assassinos, ladrões, estupradores… que tentam se passar como refugiados. Cada caso é analisado individualmente pelo governo, pesquisam se tem algum passado criminoso, enfim.

Muitos criticam os campos gregos, mas apesar de tudo, não estamos explorando os refugiados. Existem muitas pessoas que tem aberto as portas de sua própria casa para hospedá-los, arcando com contas, alimentação, roupas. Existem instituições, ONGs e igrejas (visitei pessoalmente algumas) que tem feito o impossível para transformar a estadia deles aqui um pouco mais digna. Mas claro que isso a imprensa não vai mostrar.

Em contrapartida, em campos próximos de outras fronteiras, milhares de refugiados são explorados com mais de 12h de trabalho diários recebendo uma micharia! Fora o tráfico humano, estupros e coisas do gênero que vocês já conhecem. Tem países dizendo que estão com as portas abertas, mas negando pedidos de asilo e acabando com qualquer esperança.

Diante disso tudo, o meu conselho é o mesmo: OREM; para que mais voluntários estejam aqui, colocando as mãos no arado; para que os refugiados não percam a esperança. Temos tido a oportunidade, mesmo no meio da dor, de agirmos como Igreja para nossos irmãos de todo o mundo! São mais de 40 nacionalidades no campo em que eu estive. Então orem sem cessar, para que o Senhor venha com justiça e misericórdia! 

Não se contente somente em compartilhar informações nas redes sociais porque a crise de refugiados e a guerra na Síria esta “na moda”! Colabore de verdade!

Tiago: 4. 17. Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.

Segue abaixo uma matéria com algumas instituições que você pode colaborar e também a minha conta pessoal. Estou retornando ao Brasil depois de 40 dias na Grécia auxiliando refugiados em Atenas (Alliance Relief), em Lesvos, campo de Moria (Euro Relief) e em Tessalônica através do Στέκι. Ainda tenho algumas contas dessa viagem para pagar,  planejo voltar ano que vem por mais tempo e você pode colaborar! Deus abençoe!

CAIXA ECONÔMICA

Ag 0800 op dv 013

C poupança 18062-0

Isadora E. Bersot

http://m.extra.globo.com/noticias/mundo/como-ajudar-refugiados-sirios-no-brasil-no-exterior-20661052.html

(Isadora Bersot)

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