#Palavras do Pai, #TestemunhoGrécia

Quero ir também. Como faço? #97

Acabo de perceber que, nas contagens dos posts, eu simplesmente pulei o #97! :O Ainda assim, foi super providencial. Pude colocar a postagem no lugar certinho, como se fosse novembro de 2017, e falar aqui como foi meu processo pra ir pro campo de refugiados. Recentemente algumas pessoas me perguntaram, também com interesse de ajudar, então resolvi reunir todas as informações possíveis sobre o voluntariado na Grécia (especificamente onde estive).

Eis aqui a minha experiência!img_20161122_191436.jpg Na época, eu servia como missionária voluntária em tempo integral na Cia de Artes Nissi. Meu líder tomou conhecimento de um casal de missionários da JOCUM/ YWAM Salamanca, o Gladston e a Esther, que estavam servindo há meses no Campo de refugiados Moria, na ilha de Lesvos.

Claro que assim que soube da notícia me dispus na mesma hora pra ir até lá. Como vocês sabem, tenho um chamado pra Grécia e meu coração sempre ardeu pelos refugiados (a MAIS representou um grande incentivo). Então, entrei em contato com o Gladston, que me passou as informações necessárias para me voluntariar.

Eu precisaria entrar nesse site, da Euro Relief (ONG pela qual eu fui), preencher o formulário em inglês e esperar uma aprovação/negação, além de ter conhecimento da língua pra sobreviver por lá. É importante ser sincero nas respostas. Jogar no tradutor não ia resolver rs. Graças a Deus, fiz um curso de 5 anos, gratuito, na minha cidade. Chama-se CIUG. Vale a pena procurar. Ele me deu uma boa base pra enfrentar essa jornada em outro continente e sozinha. Além dessa ONG, em Moria atuavam ainda a Remar e a Samaritan’s Purse.

Assim que cheguei em Atenas, o pr. André (que conheci através de um site da igreja sobre missões na Grécia, onde ele servia há quase 10 anos) topou me receber, juntamente com sua esposa Molly, pelos primeiros 3 dias antes de seguir pra Lesvos. Eles foram uns amores! Amo muito a vida deles. Acompanhei a Molly num projeto de ensino para crianças ciganas (Hope Center, um braço do Hellenic Ministries), depois servi num centro de apoio a Refugiados no centro da cidade (Alliance Relief) e conheci a igreja deles (Glyfada Christian Center).

Confesso que senti medo! Quando cheguei na casa deles e falei com minha mãe ela disse: Filha, não imaginei que fosse tão corajosa! Eu disse: E não sou, mãe. To morrendo de medo! Aí você deve se perguntar: se tinha tanto medo, como foi? A verdade é que o medo tenta paralisar, mas o poder de ceder ou não a essa tentativa é seu. Eu senti medo, mas não deixei que ele me parasse. Nem sempre suas sensações precisam definir suas atitudes. Foi difícil? Mais do que você pode imaginar. Mas deu certo, e hoje tô contando pra você. Deus cuida de tudo!

Uma das minhas preocupações era, naturalmente, a língua. Eu nunca havia tido uma experiência como essa, de precisar falar inglês pra me comunicar. Meu máximo de contato foi no curso (há mais de 5 anos atrás) e através do app Duolingo, que me ajudou bastante nos meses que antecederam a viagem. Mas, como eu disse que Deus é top e cuida de tudo, encontrei uma equipe da JOCUM Maceió que estava servindo lá por 1 mês. De cara ouvi o português e já fiz amizade. Foi maravilhoso tê-los conhecido. Além deles, também fiz uma amiga colombiana, a Saray, que amo como irmã. Ela já havia estado no campo, entendia português e falava espanhol e inglês. Eu entendo espanhol também, então basicamente era ela falando espanhol, eu português, e quando não dava certo, as duas no inglês! hahaha

Financeiramente falando, pra um missionário é sempre um desafio esse tipo de coisa. Poucos têm mantenedores fieis, e trata-se de uma viagem cara. Pra você entender, não só o tamanho da dificuldade, mas também do poder de Deus, e o quanto é importante ser cuidadoso com seu dinheiro, sigo explicando como foi. Eu fui juntando ofertas que recebia no Nissi por muitos meses e encontrei uma passagem por R$1.800 – por ser baixa temporada (fui em novembro/dezembro). Esse valor eu tinha guardado e consegui pagar. Aí eu precisava ainda de 10 euros por dia na ilha, pra pagar a hospedagem, fora a alimentação e outros itens que fossem necessários (cerca de 35 euros/dia, aproximadamente R$2.260, pelas 2 semanas). O navio de Atenas pra Lesvos custou aproximadamente R$400, ida e volta, numa viagem de pouco mais de 10h.

Depois desse tempo, eu seguiria pra Tessalônica. Primeiro, porque eu não teria grana pra permanecer mais tempo na ilha (porque o valor da hospedagem total precisava ser pago no primeiro dia de chegada). Segundo, porque tenho uma família grega, que considero minha, aqui no Brasil. Os conheci antes da minha primeira viagem, eles que fizeram essa ponte.

É um casal que eu amo de paixão, a Vouli e o Sthatis. Eles estão hoje no Paraná, morando no Brasil já há alguns anos, e realizando vários trabalhos sociais, além do Sthatis ter concluído a graduação em Teologia e estar no mestrado agora. Eles são de lá, então me convidaram pra passar um tempo com a família deles. Fui recebida como filha!

Fui de trem (os bilhetes de trem custavam aproximadamente R$200), e fiquei na casa do irmão da Vouli nas primeiras semanas, e passei as últimas num apartamento da Vasso, amiga da igreja da Vouli (Meta. E eu havia conhecido uma igreja na internet que queria muito ir. Acredita que fomos convidadas pra um culto lá (sem eu saber)? Olha os detalhes divinos! Fiquei tão feliz que vocês não tem ideia. Além de ir na igreja da minha amiga, também servi num projeto no Christian Steki, onde distribuíamos alimento todos os dias pela manhã para moradores de rua e até alguns refugiados.

Sempre digo que é lindo ver a unidade da Igreja na Grécia, em como igrejas cristãs de diferentes cidades e denominações se unem em prol do Reino. Sério, nunca vi algo assim na vida. É apaixonante!

DICAS IMPORTANTES:

  • Faça um Seguro Viagem no Brasil. Nem sempre vão te pedir na imigração, mas é melhor não correr riscos. Vendo com antecedência você não é surpreendido no aeroporto, tendo que pagar quase mil reais!
  • Você precisa do seu passaporte. O visto só é necessário a partir dos 3 meses.
  • Adquira um Travel Card (pode ver isso no seu banco mesmo. É um cartão que funciona como débito, você pode sacar em qualquer ATM, e é vinculado a sua conta. Assim, quando você precisar de grana, uma pessoa responsável, daqui do Brasil, consegue transferir pra você.)
  • Adquira os bilhetes do Ferry ou do trem no Brasil. Você encontra na internet facilmente.
  • Troque seus reais por euros aqui mesmo. Você nunca sabe quanto vai estar a taxa fora do país, e geralmente não é facil achar casas de câmbio fora dos aeroportos por lá, o que torna a taxa ainda mais cara.

Concluindo, gastei em média R$7.000,00 nesse período. Claro que gastei menos do que outra pessoa, já que só paguei hospedagem em Lesvos e gastei bem pouco com comida em Atenas e em Tessalônica. Quando cheguei ao Brasil, minha maior preocupação era estar devendo muito dinheiro pros meus pais, mas repito: Deus é top! Quando cheguei e somei o que já tinha pago com as ofertas que recebi nesse tempo através da venda de marca-páginas e bombons que minha equipe estava fazendo no Nordeste, consegui quitar tudo! Que alívio!

Aguardo a oportunidade de fazer isso novamente. A situação dos refugiados não mudou muito desde então. Ore por eles! 

Atualizando sobre minha vida: assim que voltei de viagem, passei pra UFF \o/ E estou cursando letras-grego. Além disso, ajudo a vender colares que auxiliam refugiados na Grécia e na Turquia e integro um laboratório de pesquisa na faculdade sobre migração e refúgio, chamado Lab Migrar.

Essas foram as minhas experiências. Espero que te inspire a viver as suas!
Tem mais alguma dúvida? Pode comentar ou me chamar no facebook! Beijos!

(Isadora Bersot)

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