Rascunhos antigos

Eu me assentaria no trono #154

Crescente, nova, cheia e minguante são fases da lua. Nós também passamos por elas, ainda que com nomes diferentes. Existem fases que nos ensinam e treinam. Outras que nos desgastam e nos fazem pensar que chegamos ao fim. Estamos imersos em uma delas o tempo todo e muitas vezes só conseguimos reconhecê-la quando avistamos a linha de chegada, que dá início a uma nova corrida. O que ainda não conseguimos compreender muito bem é a importância em aceitá-las sem questionamentos – “ô, coisinha difícil!”.

Questionar uma determinada situação ou acontecimento é, igualmente, discordar dele em algum – ainda que único – ponto. E quando você questiona, involuntariamente,  afirma que era capaz de fazer melhor. No nosso mundo, isso é aceitável, visto que somos humanos com opiniões, crenças e argumentos diferentes, mas quando elevamos esses questionamentos a uma esfera espiritual, entramos em uma grande encrenca. Ao perguntarmos a Deus “por quê?” sempre que algo foge do nosso controle ou expectativa, é como se disséssemos a Ele que o que fez não está tão bom como poderia. Não questionamos somente a Sua vontade, mas também Sua soberania e até Sua divindade! Isso é assustador!

Diante das injustiças que nos acontecem, ponderamos com Deus se não estamos sofrendo muito ou se aquilo é realmente necessário ou merecido. “Pode o vaso dar ordem ao Oleiro?” Não temos nada de bom, entenda isso. Todos carecem da glória de Deus. Sem Sua misericórdia já teríamos sido consumidos há tempos! Sabemos disso e ainda assim nosso coração não parece totalmente convencido quando no mais íntimo, ainda ouvimos seu sussurro fraco: “por quê?”.

IMG-20180109-WA0031A realidade é que você não tem que entender! Nem eu! Enquanto formos guiados pela nossa mente e nossa razão, não nos renderemos diante dEle. No momento em que somos convencidos de que o que Ele faz é bom (Ele é bom!), independente do que seja, as dúvidas perdem espaço em nosso coração e nos rendemos agradecidos em adoração. Cada fase tem seu encanto, e você pode encontrar tesouros, ainda que na perda.

Que o Senhor nos ensine a confiar na Sua soberania, justiça e tempo. Que Ele nos guie nos Seus caminhos, ainda que nos desviemos completamente do que julgávamos ser correto, justo ou merecido. Que Seu Espírito nos convença do pecado, da justiça e do juízo. Que Ele nos leve ao centro da Sua vontade, em obediência, submissão e amor.

(Isadora Bersot)
Rascunho 2014

 

 

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