#Palavras do Pai

A força do universo não está por trás do caos #242

É difícil ser evangélica num país em que “grandes referências” do meio se venderam a jogos políticos. Eu, por exemplo, me sinto profundamente envergonhada (e já há bastante tempo — e sei que não estou sozinha) pelos “figurões” que são expostos diariamente nas mídias, mas também me sinto tranquila, porque, apesar de não estarem nas mídias, há milhares que não se dobraram nem a este nem ao governo deste mundo.

Na época das eleições, inúmeros desses “top gospeis” expuseram e demonstraram efusivo apoio ao candidato que celebra a tortura e que desmorona (pra referenciar  o dia 24/4) o governo. Vários dos meus amigos sem religião / ateus / que professam outras religiões postaram (e postam até hoje), com repúdio, logicamente, situações que envolviam(em) esses “renomados ministros”. O fato é que a coisa toda é tão gritante que até pros que não são crentes fica patente o abismo entre o Messias e o protótipo de mito.

Não pretendo, neste momento, dissertar sobre a falta de lógica entre aqueles que só conhecem a Jesus pelo que lhes convêm (“Deus é amor e fim”), como se o Evangelho não representasse, também, uma contra-cultura que se opõe a vários dos ideais pessoais de alguns. Não faço isso aqui porque, em alguma medida, eu consigo entender os motivos que os levam a agir assim. Também não vou falar sobre o que motivou o voto de cada pessoa (ou a omissão delas). Como diria o ditado, “águas passadas não movem moinhos”, ainda que as muitas ondas que estão se aproximando e já quebrando sobre nós tenham relação com as águas passadas… (e não me refiro apenas às últimos eleições).

Pois bem… Os mesmos que marcharam em atos pró-impeachment da Dilma, apoiaram Temer e fizeram campanha pra Bolsonaro, antes mesmo da posse, já ampliaram o discurso do “oremos pelos nossos governantes”. A oração, para alguns deles, só vale para coagir quem pensa diferente. Pra gerar condenação imprópria e/ou constrangimento. Ou mesmo pra alcançar interesses próprios. Falam de Deus para darem legitimidade às suas falas (o slogan do Bolsonaro representa isso muito bem). A oração, portanto, deixa de ser um relacionamento com Deus, um portal de intimidade e um caminho pro arrependimento, tornando-se apenas uma cartada evangélica para culpabilizar quem discorda dos supostos “ungidos do Senhor”. Acontece que a Igreja tem um dono, e não são os “coronéis da fé”.

Não é a primeira vez na História que há esse tipo de fenômeno no meio cristão. Lutero, por exemplo, iniciou a Reforma Protestante por perceber a profunda distância entre os grandes religiosos e a Bíblia. Por isso, sigo tranquila. Primeiro, porque confio em Deus. Segundo, porque sou cristã. Terceiro, porque creio na Bíblia: no final de tudo, o Jesus Cristo, Salvador, que anda por aí na boca de quem O ama e de quem O odeia, voltará, e Ele não tomará o injusto por justo.

Estamos — todos — os que crêem e os que (ainda) não crêem (segundo Apocalipse 1:7), nas mãos de um Pai de amor poderoso, Justo juiz, Príncipe da Paz. Muitos, nos últimos tempos, pregaram o avivamento que viria sobre o país e confundiram a eleição de Bolsonaro com um novo tempo de Deus sobre a nação. O que ocorreu é o óbvio: o tempo chegou, mas não como muitos esperavam (nem mesmo eu, que fique claro). Vale salientar que períodos anteriores às grandes transformações produzidas nos avivamentos eram sempre terríveis, altamente pecaminosos e com valores caros ao Cristianismo lançados ao léu.

Observando a realidade mundial, só posso seguir crendo nisto: Deus está orquestrando todas as coisas. Ele se manifestará.

(Isadora Bersot)

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