#Palavras do Pai

Deus do ordinário #256

Considero mais “sobrenaturais” as manifestações do Espírito Santo na rotina do que nas grandes concentrações, isso porque enxergo mais beleza no agir divino que acontece na dinâmica comum da vida.

No dia a dia, há bem mais momentos ordinários do que sagrados: lavamos mais a louça do que louvamos na igreja. Frequentamos mais os nossos empregos do que participamos de congressos. Conversamos mais com nossa rede de contatos do que falamos em línguas. Gastamos mais horas no transporte público do que nos estudos bíblicos semanais. Os exemplos são diversos, e você pode pensar nessas comparações relacionadas aos seus dias. Matematicamente falando, se dependermos dos ajuntamentos para mantermos uma rotina de comunhão e devoção, seremos como uma terra seca, que recebe tão pouca água que sequer tem força para florescer.

Congressos, ministrações de pregadores “famosos” ou os próprios cultos dominicais são “ambientes” que já pressupõem os moveres da parte de Deus ― e, por isso, precisamos nos manter atentos. Não raro, seres humanos com algum tipo de cargo eclesiástico se consideram os únicos detentores das verdades do Reino e se colocam como uma autoridade que detém em si todo o poder espiritual existente (o que é uma falácia, naturalmente). Para além desse cuidado com toda a manipulação que pode ocorrer “em nome de Deus”, é necessário cultivar um rotina de adoração no ordinário.

Eu acho incrível quando, numa conversa rotineira, aprendo algo da parte de Deus; recebo algum conselho pontual e inspirado pelo Senhor (seja de amigos que compartilham da mesma fé ou não); sou confrontada em alguma tendência pecaminosa… Não é maravilhoso ver a mão Divina nas situações mais comuns e aparentemente medíocres da nossa existência?

Quando o véu se rasgou, o Deus Conosco também nos apontou o caminho possível para o nosso Romance Vertical (para citar a canção da minha amiga Débora Lobo). Ele não é propriedade humana e nem de uma ou de várias religiões. O Deus da Graça, aquEle que tem as nuvens como a poeira de Seus pés (Naum 1:3), escolheu habitar no corpo frágil do homem (1 Coríntios 6:19) . E, também por isso, Ele está interessado em participar plenamente de todos os aspectos desta nossa jornada tão quebradiça, finita e débil.

Obs.: Ainda não li, mas vi que há inúmeras críticas excelentes a respeito, então tomo a liberdade de indicar o livro “Liturgia do ordinário”, de Tish H. Warren.

(Isadora Bersot)

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