#Palavras do Pai

O(s) Deus(es) do AT e do NT. Eles são diferentes? #260

Recentemente, fizemos no perfil do Inverso ao Avesso uma Live sobre as Escrituras, e indico a todos! Pensando nesse tema, lembrei-me da “diferença” que alguns (geralmente não cristãos) parecem enxergar entre o Deus Eterno apresentado no Antigo Testamento e no Novo Testamento.

Se você não pensa assim, talvez conheça quem pense. O Deus Criador do AT é, então, um ser mau, injusto, furioso, que fulmina aqueles que não Lhe obedecem? No NT, Ele é mais amoroso e misericordioso? A questão é que temos uma tendência ao maniqueísmo, separando tudo entre bem e mal, entre justo e injusto, como se um Deus amoroso não pudesse estabelecer justiça, por exemplo. Como se aquEle que ama não pudesse corrigir. Saiba que por trás de toda disciplina divina há um propósito eterno. Não se trata de um Ser ofendido extravasando sua raiva, mas usando Seu amor para corrigir, a fim de nos aperfeiçoar (Leia Hebreus 12:4-13).

É importante deixar registrado que o Deus da Antiga e da Nova aliança é EXATAMENTE o mesmo! Isso implica dizer que Sua justiça, tão visível no AT, é tão intrínseca a Ele quanto a Sua compaixão, revelada largamente no NT. Pensemos, então, nestes dois atributos divinos: justiça e amor.

Algumas de nossas más interpretações e crenças se devem ao nosso olhar focado em determinado dado que desconsidera um percurso histórico ou mesmo um contexto. Apenas a título de exemplo, é comum que quem lê sobre o Dilúvio pense: “Que tipo de deus é esse que destrói tanta gente de uma vez só?”. O problema é que, quando focam em Deus, esquecem de pensar em quem era essa gente. Gênesis (6:5, 12) narra o seguinte: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”; “E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.” Estamos, portanto, falando de uma sociedade MÁ e CORRUPTA.

Traga para a sua realidade: Como você lida com a maldade humana? Como você reage diante de escândalos políticos de corrupção? Você gosta de impunidade? Acha bacana quando pessoas praticam o mal e usam de meios ilícitos para conseguirem o que querem? Que fim você acha que deve ter um assassino, estuprador ou pedófilo? Talvez agora fique mais fácil perceber que o dilúvio foi um dos meios pelos quais o Senhor praticou justiça.

Há quem viva absolutamente distante dos preceitos bíblicos e, quando colhe os frutos da malignidade que plantou, resolve insurgir-se contra Deus. Ora, não é um absurdo? Como pode alguém que sequer considera os padrões estabelecidos por Deus para a Sua criação se revoltar contra Ele? Como pode um incrédulo achar que merece uma “forcinha” do Céu se O trata como nada e, às vezes, até nega Sua existência? Graças a constância do Senhor, Ele não muda nem mesmo pelas nossas ações, ofensas ou questionamentos. Deus é justo, portanto estabelecerá a Sua justiça uma hora ou outra.

A sociedade pré-diluviana vivia absolutamente fora do padrão estabelecido pelo Senhor (há muitas semelhanças entre nós…). Noé foi salvo por quê? Porque nele Deus viu justiça (“Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus.” Gênesis 6:9). O problema é que muitos preferem viver como se Deus não existisse a cumprir aquilo que Ele oferece como o melhor caminho. Então, quando “o dilúvio” chega, se revoltam pela própria falta de fé e obediência.

O Amor divino é revelado desde o princípio, quando, mesmo após o pecado original, Adão e Eva não foram mortos nem a criação dizimada. Ao contrário, o próprio Criador os vestiu com peles de cordeiro, um anúncio do Cristo que viria em sacrifício da humanidade. Mesmo numa sociedade absolutamente má e corrupta, Ele escolheu Noé para preservar a criação, juntamente com Sua família. Quando o povo de Israel foi resgatado da escravidão e levado à Terra Prometida, apesar de todos os percalços no deserto que fizeram com que uma geração inteira fosse destruída e não desfrutasse da Promessa, Ele demonstrou Seu amor tardio em irar-se. Quando profetas foram levantados (e correram risco de vida ou foram martirizados) por pregarem o arrependimento a povos que seguiam para tão longe do Senhor, Ele amou. Quando Jonas, mesmo injuriado com a misericórdia divina (acredita?), que visava à salvação do ninivitas, foi impelido a pregar e viu um povo inteiro arrependido e rendido ao Eterno, foi Amor. As misericórdias do Pai, bem como Seu amor, estão largamente visíveis no AT, mas é aquilo: não vê quem não quer.

Pensando, agora, no NT, temos Cristo, a encarnação exata do Eterno Deus de Israel. Vamos nos lembrar do Sermão do Monte, tão conhecido. Nele, Jesus mostra as benesses eternas de que provarão os salvos e os padecimentos infernais a que estarão sujeitos aqueles que não se converterem a Ele mesmo. Como são várias as aparições do inferno no discurso de Cristo (apesar de geralmente conhecermos tão pouco, fruto dessa visão interesseira/egoísta que prioriza o Amor, mas desconsidera um dos temas mais falados pelo Segundo Adão — o juízo), bem como pelos autores do Novo Testamento, segue a indicação de um texto da Editora Fiel.

O Senhor não toma o inocente por culpado, e por isso espera (e auxilia!, por meio do Espírito Santo) que Seu povo obedeça aos Seus mandamentos. O Pai não nos criou e nos largou à nossa própria sorte, mas continuamente Se insere na história e Se revela a nós, nos ensinando como viver. A Bíblia, por exemplo, é uma das revelações que temos sobre esse Deus que se permite conhecer e anseia se tornar conhecido entre os povos.

Nosso Salvador é absolutamente bom, santo, justo, amoroso. Sua Palavra e Seus profetas são instrumentos dEle para converter corações. Ele cumpre o que diz. Suas palavras são verdadeiras e dignas de confiança. Aqueles que desprezam a Mensagem acabarão, querendo ou não, sendo lançados para longe de Seu Amor, para o lugar preparado para o diabo e seus demônios.

Servir a Cristo exige um discipulado radical, como diria John Stott; um compromisso real, sério, consciente. Este compromisso se torna a prioridade central da vida de qualquer nascido de novo, e isso inclui abdicar a própria vida por amor a Ele. Saiba que nada nos é pedido pelo Altíssimo que, antes, Ele já não nos tenha oferecido. Lembre-se do que Jesus, o Deus encarnado, viveu: traição, martírio, crucificação. Cristo é a personificação da Obediência. Se Ele é nosso exemplo, por que oramos tão pouco para sermos capazes de obedecer ao Senhor? Por que pedimos tanto por estabilidade financeira, casamento, filhos, viagens, aposentadoria, e tão pouco por alegria na tribulação, por perseverança na perseguição e por amor aos nossos inimigos?

Há uma história sendo escrita que culminará na Glória do Senhor entre absolutamente TODOS os povos. Ele fez um povo para Si e o resgatará. Tudo faz parte de um plano divino de trazer glória a Si mesmo! E não, isso não o torna Alguém orgulhoso, mas coerente: se Ele é Deus e não há outro fora dEle (“Eu sou o Senhor, e não há outro” Isaías 45:5), o que haveria de estranho em dar glória ao que é Digno dela? Não é estranho e incoerente, ao contrário, outros deuses quererem uma glória que não lhes pertence? As leis divinas sempre foram claras, no entanto aqueles que se recusavam (e se recusam) a obedecê-las devem estar cientes das consequências de suas decisões.


“Eis que ele vem
com as nuvens,
e todo olho o verá,
até mesmo aqueles
que o traspassaram;
e todos os povos da terra
se lamentarão por causa dele.
Assim será! Amém.”

Apocalipse 1:7

(Isadora Bersot)

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