#Palavras do Pai

Você não quer a vontade de Deus, só tem medo de se frustrar #302

Há muito tempo, o discurso de estar no “centro da vontade de Deus” foi difundido por aí. Eu mesma já escrevi em meu blog sobre isso alguns anos atrás (ainda bem que o tempo passa e a gente cresce em conhecimento, não é mesmo? 😆). Hoje, me pergunto se faz sentido existir uma espécie de “periferia” da vontade de Deus, o que seria, basicamente, uma vida decente, mas sem muitas euforias ou “grandes conquistas ministeriais” (com todas as problemáticas que esses termos possam incluir).

Precisamos parar de crer que a vontade de Deus se resume em ver as coisas dando certo para nós. Quando Jonas quis literalmente fugir da vontade de Deus, o barco “de satanás” já estava prontinho para levá-lo na direção oposta a Nínive… Ele poderia ter interpretado esse fato como a ação da Providência, não? Como disse a @laudiceia_mendes, Deus permite a pausa, mas não abençoa a fuga. No fim das contas, o que aconteceu na vida desse profeta? A vontade divina.

Claro que o caso de Jonas é atípico (ao menos para os nossos dias): ele era um profeta do Antigo Testamento, e o Eterno havia sido muito claro quanto ao que ele deveria fazer. Nós, no entanto, nem sempre temos claros os passos a seguir.

Com mais frequência do que admitimos, o que queremos mesmo é que a nossa vontade seja feita, que os nossos planos (até os mais espirituais) se cumpram, que nosso ministério seja reconhecido para, assim, supostamente glorificarmos a Deus. Ah, como nosso coração é enganoso, capaz de travestir intenções pecaminosas com vestes de louvor…

A verdade é que nem sempre a ação de Deus será tão clara, como somos capazes de ver na vida de José, Jó ou de Paulo. Eles, contudo, não sabiam a respeito da própria vida o que nós, cristãos do século XXI, sabemos. Como eles, nós também não conhecemos de antemão cada curva da nossa história, mas, se mantivermos a nossa fé, podemos confiar no mesmo fim que João viu e descreveu no Apocalipse: sem dor, sem lágrimas, sem sofrimentos. Toda tribulação é momentânea (Rm 8:18), até mesmo aquelas cujo remetente é o Altíssimo.

Se analisarmos bem, veremos que nossas crises para “descobrir” a vontade de Deus são, na verdade, medo de nos frustrar e de sofrer. Li uma citação ótima do Jonas Madureira sobre o assunto:

“Chega de romantizar a vontade de Deus como se fosse fácil cumpri-la. Fazer a vontade de Deus (muitas vezes) irá colocá-lo no jardim das aflições e levá-lo a orar: Faça-se a Sua vontade!”

Precisamos, então, parar de pensar que a vontade de Deus nos levará a um mar tranquilo e calmo. A vontade do Pai para o Filho O levou ao mais profundo tormento, à angústia e à morte. Talvez, a vontade divina para você inclua uma doença incurável, uma separação repentina, até mesmo a morte, este mal inescapável, mas contra o qual lutamos a todo custo, seja com academia, remédios ou cirurgias. Contudo, nenhum desses males é um mal em si mesmo, pois Deus, além de ser o único capaz de tornar o mal em bem, cumpre Seus desígnios em nossas vidas plenamente, pois faz tudo o que deseja (Is 46:10), e tudo que Ele faz é bom e justo.

Portanto, prepare-se para a frustração e o fracasso. Pode ser que tudo dê errado, mesmo após muita oração e conselhos sábios. Nem sempre a vontade divina será boa, perfeita e agradável aos nossos olhos. Rejeite a tentação de abandonar a fé como uma criança mimada que rouba a bola  dos amigos porque seu time não está ganhando. Não negue seus sentimentos de perda e decepção, mas não perca de vista que a frustração é momentânea. Deus está fazendo algo que você ainda não conhece. Diante dos olhos daquEle que tudo criou, há um fim de glória. Aguarde com paciência, “alegre-se na esperança, seja paciente na tribulação, persevere na oração”. (Rm 12:12)

(Isadora Bersot)

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