#Palavras do Pai

Quando eu não puder fazer mais #66

Enquanto temos força e nossa mente funciona com perfeição, é fácil projetar e realizar sonhos. Nossa cultura competitiva nos dá uma missão: sermos melhores. Não que nós mesmos, mas melhores que os outros. Nossos talentos atraem e são aplaudidos. Até invejados. Mas chega um tempo em que nada disso mais tem valor… Ao encontrar a realidade diferente das fantasias esperadas, acabamos abraçados pela frustração em não ser quem sonhamos nos tornar.

Aos 96 anos, já idosa, Dona Eunice mora num asilo. Com um olhar distante, mostra fotos de suas maiores conquistas… Foi atriz premiada em novelas nacionais, ganhou honra e fez grandes amizades. Bem, talvez não tão grandes assim, porque há alguns anos já não tem contato com eles.

Com cerca de 55 anos, prestes a se aposentar, Dona Eunice sofreu um acidente que paralisou quase todo o seu corpo – tirando seus olhos que ainda vivem. Seus sentidos foram prejudicados quase ao seu limite. Seus projetos futuros também.

O abandono que nunca pensou enfrentar se alojou quando seus familiares decidiram que suas vidas eram importantes demais para se gastarem com a dela. Quem hoje, afinal,com seus sonhos pessoais tão importantes podem pausar seus caminhos para auxiliar seu próximo a sonhar ?

“Depender dos outros é difícil. Suas rotinas são mais importantes do que cuidarem da minha fala arrastada contando repetidamente as duas únicas histórias das quais que me lembro…”

Dona Eunice não existe fora da minha cabeça, mas certamente existem muitos que são representados por esta personagem fictícia. Podia ser eu, você.. Talvez até seja…

Quando a doença nos paralisar, que faremos? Quando nossa mente não funcionar mais ou por algum motivo esquecermos tudo que já vivemos, o que restará? Vale realmente a pena ganhar o nosso mundo enquanto outras almas se perdem? Quando nossos braços não puderem realizar o ativismo de nossas igrejas, como será estabelecido o Reino? O legado maior permanecerá e será fonte de vida: o Amor.

Não tenho respostas prontas, apenas um pedido: que todas as ‘donas Eunices’ espalhadas pelo mundo encontrem nEle força suficiente para enfrentar o abandono amparadas pelos braços do Pai. E que eu, mera mortal, auxilie de alguma forma a trazer amor pra estas almas marcadas.

Quem sabe o que o futuro nos aguarda? Que seja um amanhã vivido para aqueles que já não esperam mais por ele.

(Isadora Bersot)

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Um comentário em “Quando eu não puder fazer mais #66”

  1. Pensar nesse futuro é algo bem complicado.
    Andar na contramão do sistema é o nosso maior desafio. Infelizmente desde pequenos somos ensinados a olhar primeiro para nós. Pensar primeiro em conquistar os nossos sonhos e objetivos. Na verdade vivemos como se não fosse haver amanhã. Não temos mais tempo de olhar para o outro. Para rir com os que se alegram ou chorar com os que choram. Não ouvimos e nem percebemos mais o próximo. Penso q buscar parecer com Jesus seja a solução.

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