#Palavras do Pai

Jornada e destino #241

O novo só começa quando o velho termina, assim como se dá a passagem dos anos. O apóstolo Paulo narra o que faz a fim de concluir seu desígnio: se esquece do que para trás fica. É claro que isso não representa uma amnésia total do passado! O escritor de lamentações, inclusive, dá um sábio conselho: trazer a memória o que dá esperança. Muitas das nossas lembranças positivas servem de estímulo para superarmos os dias maus que chegam, afinal estamos sujeitos a alcançar os montes mais altos de conquista e os vales mais profundos de dor.

Paulo jamais poderia esquecer-se por completo de quem foi e do que fez — era preciso que ele mantivesse vivo em sua mente aquele encontro na entrada de Damasco. Um trecho de Estevão Queiroga certamente teria sido cantado pelo Apóstolo: “A luz que me cegou me fez ver Deus”. Além disso, a transformação total pela qual ele passou só comprova o poder do Altíssimo. Sem a graça soberana do Eterno, este homem jamais teria se convertido verdadeiramente ao ponto de viver na própria pele o que promovia (perseguição), contudo sem se sentir injustiçado por ela. Ele também não deveria lembrar-se com lamento do que fez, pois isso poderia fazê-lo entrar em uma depressão profunda que o impediria de propagar as boas novas do Reino recém-descoberto e ao qual havia sido filiado (tornado Filho).

A vida de Paulo comprova o poder transcendente do Evangelho de Cristo que provoca profunda e verdadeira Metanoia nos crentes. Deus faz do pranto riso, da maldição, bênção. Na mão do rei dos Reis, nada é inútil: tudo presta, tudo serve, tudo participa, tudo coopera. 

Em momentos críticos, precisamos identificar situações e pessoas que mancham ou ferem nosso coração. Em seguida, na medida em que vamos resolvendo nossas complicações, devemos retirar, uma por uma, cada sujeirinha do nosso coração. Só é possível limpar algo que se percebe sujo. É impossível buscar (e alcançar!) transformação sem enxergar as mazelas e necessidades que permeiam a própria alma. 

Infelizmente, ainda não conheço homens que perdoam instantaneamente, mas isso não pode nos dar, de forma alguma, a sensação de legalidade em remoer infinitamente o mal enquanto tentamos convencer Deus de que merecemos Sua pena. Quanto mais pecado entranhado, mais demorado é o processo de limpeza — não pela ineficiência do Sangue, cujo poder clarifica grandíssimo pecado, mas pelas nossas idas e vindas ao lamaçal…

O consolo maior é que não há sujeira alguma que o sangue de Cristo não seja capaz de purificar! Estamos aprendendo a correr a nossa corrida, que é individual. Há uma delas específica preparada para cada filho de Deus. Pouco a pouco, devemos nos mover nos processos divinos. Não é preciso ter pressa, pois o Senhor do tempo também atende por Pai.

Aprender que há etapas para cada estação e que nem tudo será alcançado conforme a própria vontade é um verdadeiro descanso e oásis para a alma que confia no Senhor. A conquista da coroa de Justiça, que será entregue a todos os que amam a Sua vinda, já está pronta! A carreira foi preparada antes da fundação do mundo! O cenário está montado. Já foi dada a largada. Apesar de se chamar corrida, não é uma disputa, muito menos se trata de velocidade. É um caminho. Uma direção. Uma jornada. Um destino. Um propósito. Só declara, semelhantemente a Paulo, que “acabou a carreira”, aquele que discerne o motivo pelo qual nasceu e prova do cumprimento dele no Senhor.

Há plenitude na vida dos santos porque há um alvo comum definido: Cristo. Ele é a partida e o destino. O Caminho e a chegada. O começo e o fim — de todas as coisas e de todas as vidas. Os salvos não têm para onde correr: eles só podem convergir para o Salvador.

“Bem pode o acusador me acusar dos pecados que cometi. Conheço-os todos e milhares mais. Jeová não conhece nenhum.”

(Timothy Keller, Encontros com Jesus)

(Isadora Bersot)

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